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Enquanto o tempo não para... Tanta coisa mudou...
Tantas lágrimas caíram... Tantos sorrisos se abriram e murcharam... Tantos amigos reencontrei... Não equivalente aos que desencontrei... O tempo não parou em nenhum momento... Nem nos beijos... Nem nos sonhos... Nem nos abraços... O tempo matou as esperanças... Trouxe as alegrias e saudades... Deixou os amores... Mesmo os que só o sentimento restou... Vai tempo e me leva também em teus braços... Eu ando esperando o tempo parar pra mim... Eu ando esperando a dor me deixar enfim...
Delírios de consumo de Max Oliver Eu vou as compras...
Pego uma linda blusa azul pois me disseram que me cai bem... Vejo um relógio belíssimo e parece combinar com meus sapatos... Sapatos de couro, elegantes... Outros modelos de bermuda... Vejo uma linda mochila e a levo também... Afinal ela é bem espaçosa para carregar notebook entre outras coisas... Perfumes fabulosos, óculos perfeitos... Ai como poderei escolher entre tanta coisa... Levo tudo... Chego em casa e vejo... Não gosto de azul... Não tenho notebook, pra que a mochila? Não uso relógio, quem dirá sapatos de couro... Cadê meu tênis furado ou meu allstar surrado que me acolhiam os pés? Onde está minha blusa preta surrada que tanto teria pra contar caso falasse? Não sinto mais meu cheiro e as vezes nem sei mais o que eu sou... Mas sei o que os outros esperam que eu seja... Pois eu tenho tanta coisa me cobrindo, me maquiando que nem me vejo mais... Será que esqueceram de mim? Será que alguém me vê debaixo dessa pilha de "coisas"? Não gosto de estar sufocado para agradar aos outros... Será que eu mesmo não gosto do que vejo e por isso me cobri? É tão fácil culpar aos outros por escolhas feitas por mim... Só eu decido... E não gosto de nada... Por que ainda as uso?
Procurando um lar fora de mim...
Querendo sair desse lugar... Habitar em si próprio sozinho... É não viver, é se fechar... Estar sempre aqui por dentro... Me faz um ser humano fraco... Acabo não vendo direito... O modo como eu me trato... Deixo de ser prioridade... Não sinto mais bater o peito... A respiração fica forçada... Nem mesmo o sangue corre direito... Não sinto mais dentro dentro de mim... Com a mesma frequencia de antes... Nenhuma luz, excitação... Cadê o brilho dos diamantes?? Eu ja vivi coisas incríveis... Quando habitei outros lugares... Quando sai de mim pra ser... Outras pessoas, outros ares... Não quero ser outra pessoa... Não quero ter um outro olhar... Só quero ter alguém comigo... Só quero ter com quem falar... Não quero estar sempre sozinho... Não quero ser só um pedaço... Vou ser inteiro, ser gigante... Pra não sobrar nenhum espaço...
Quando a pele é morena...
Porque o sol é forte... Até os brancos bronzeiam... Se igualam... Quando ninguém responde... Porque ninguém escuta... Até o gesto fala... Se adaptam... Quando alguém não ama... Porque ninguém retribui... O coração abafa... Se resiguinam... Quando a lágrima é cortante... Porque a tristeza é forte... O rosto corta... Se recupera... Quando a vida é difícil... Sem explicação... A gente enfrenta... Aprende... Quando nós sorrimos... Porque conseguimos... Estamos vivos... Somos fortes... Quando tudo dá certo... Porque a gente batalha... A vida é boa... Se é feliz...
Renove seus votos...
Seu espírito... Seu humor... Seu visual... Seu cabelo... Suas roupas... Seus desejos... Faça tudo novo... Mantenha as convicções... Os amigos... Os amores... Esses não são renováveis... Sao bens duráveis... Até o fim... E que o fim nunca chegue... Pois somos imortais...
Queria ser bebida doce...
Pra quem me fosse beber... E ver bem claro no rosto... Dos que me consomem, a pele arder... Tirar dos olhos, fogo... Da pele, cor... Ser um líquido espesso, dormente, brilhante Deslizar com leveza a parede interna... Na garganta, acalmar um grito abafado... Ser aquele arrepio que lhes subam a perna... Causar por dentro um frescor... Tirar do peito a dor... Ser servido sem pressa... Ser apreciado... Em pequenas goladas Ou de um modo afobado... Ser um vicio ou mania... Proporcionar alegria... E não me tornar uma droga... Não destruir a ninguém...
Hoje enterro meu desespero...
Minha tristeza e meu desapego... Meus maus momentos e decepções... Meus desafetos e ilusões... Tiro de mim o desprezo que existe... Largo do não como opção... Me separo também do tédio e do ócio... Não tem mais talvez no meu coração... Não quero mais dúvida nem incerteza... Não quero mais me arrepender... Quero estar pronto para acertar... E para aceitar o que acontecer Vou ser bem mais forte e lutar com a dor ... Enfrentar os meus medos sem medo de errar... Quero transpor algumas barreiras... Quero ter fé e também perdoar... Hoje é o enterro do que me prendia... Do que me impedia de ser quem eu sou... Aqui jaz a impureza e o sofrimento... E toda ferida que cicatrizou... Esqueço o local onde tudo enterrei... Não quero lembrar que esse dia existiu... Agora sou toda a esperança e alegria... Bondade e amor que alguém ja sentiu...
Daqui a uns anos quem sabe... Quando alguém me perguntar quem eu sou...
É com absoluta certeza que não saberei definir... Não tentarei me iludir atribuindo-me feitos... E colorindo histórias que nunca vivi... Eu poderei, imediatamente, como um reflexo, sem piscar... Contar tudo o que ja fui e o que fiz ate agora... Mas direi-lhe, tenha calma pois me lembro de detalhes... Ja fui muito, fiz bastante, neguei minutos, até fui embora... Não me orgulho de tudo que passei... Nem teria como me orgulhar... Muitas coisas não serviram de nada... Essas eu não quero mais lembrar... Não lamento não poder responder... É melhor que contar uma mentira criativa... Não fique desapontado comigo... Desculpe o vazio da expectativa... Não me sinto digno para lhe contar o que sou... Prefiro que veja e tire sua conclusão... Mas me prometa que não fechará os olhos em nenhum momento... Que me verá também com os olhos do coração... Daqui a uns anos, quem sabe... Eu saiba o que agora eu não sei... Daqui a uns anos, quem sabe... Terei orgulho do que me tornei...
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